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Número atual: Março 2017 - Volume 24  - Número 1


ARTIGO ORIGINAL

Prevalência de dificuldade de locomoção em idosos institucionalizados

Prevalence of mobility impairment in institucionalized elderly


Franciane Giaquini1; Ezequiel Vitório Lini2; Marlene Doring3

DOI: 10.5935/0104-7795.20170001

1. Enfermeira, Universidade de Passo Fundo - UPF
2. Pesquisador, Universidade de Passo Fundo - UPF
3. Professora, Programa de Pós-Graduação em Envelhecimento Humano, Universidade de Passo Fundo - UPF


Endereço para correspondência:
Universidade de Passo Fundo - UPF
Rua Teixeira Soares, 817
Passo Fundo - RS - CEP 99010080
E-mail: ezequielfisio@yahoo.com.br

Recebido em 21 de Agosto de 2015.
Aceito em 31 Março de 2017.


Resumo

Objetivo: Identificar a prevalência de dificuldade de locomoção em idosos institucionalizados e sua correlação com o perfil clínico-funcional, realizou-se um estudo transversal com 191 pessoas com idade ≥ 60 anos residentes em 13 instituições de longa permanência para idosos de Passo Fundo, no ano de 2014. Método: Utilizou-se um questionário estruturado, aplicado aos idosos ou aos responsáveis técnicos das instituições. Foram contempladas variáveis sociodemográficas, relacionadas à saúde e questões específicas sobre dificuldades na deambulação. Considerou-se dificuldade de locomoção a necessidade de qualquer ajuda ou apoio para caminhar, seja bengala, andador ou mesmo restrição ao leito. Realizou-se análise descritiva e bivariada dos dados. Para verificar a associação entre as variáveis categóricas foram aplicados os testes qui-quadrado de Pearson e exato de Fisher a um nível de significância de 5%. Resultados: A prevalência de dificuldade de locomoção foi de 50,3%. Utilizavam cadeira de rodas 41,7%, acamados 24%, andador 16,7%, bengala 14,6% e muletas 3,1%. Dos idosos com dificuldade de locomoção, 89,6% eram dependentes para as atividades básicas de vida diária e 62,5% consideraram sua saúde como regular, ruim ou muito ruim. Conclusão: A alta prevalência de dificuldade de locomoção, inclusive com muitos idosos restritos ao leito, alerta para a necessidade de intervenções preventivas antes da institucionalização e a minimização das complicações que estas condições podem trazer.

Palavras-chave: Idoso, Locomoção, Marcha, Instituição de Longa Permanência para Idosos




INTRODUÇÃO

O envelhecimento populacional é uma realidade mundial e o Brasil vivencia esse processo de forma acelerada. Nesse sentido, o censo demográfico de 2010, aponta que a população brasileira é de aproximadamente 190 milhões de pessoas, sendo que o contingente de pessoas idosas é de cerca de 20 milhões, ou seja, aproximadamente 10,8 % da população total.1

Segundo a Organização Mundial da Saúde,2 cronologicamente a velhice principia aos 65 anos em países desenvolvidos e em países em desenvolvimento, como o Brasil, aos 60 anos. Desse modo, considerando que a velhice é uma fase da vida inerente ao processo de envelhecer, e que há cada vez mais pessoas vivendo nessa fase, surge a necessidade de um olhar especial e humano para essa população.

O crescimento em larga escala da população idosa ocorre em condições socioeconômicas e culturais desfavoráveis. Constata-se que estes idosos encontram-se em vulnerabilidade físico-funcional e processos crônico degenerativos que podem predispor ao encaminhamento às instituições de longa permanência.3 A institucionalização é cercada de diversos fatores, dentre os quais destacamos a idade avançada, fase em que várias doenças e distúrbios relacionados à velhice podem surgir, tais como os distúrbios da marcha e da mobilidade.

A marcha é uma tarefa rotineira e parte fundamental para as atividades de vida diária. Basicamente, é definida como a maneira ou o estilo que o indivíduo caminha.4 O bom desempenho na marcha depende do funcionamento integral de vários órgãos, especialmente àqueles que compõem o sistema neurológico, musculoesquelético e cardiovascular.4


OBJETIVO

Diante ao exposto, objetivou-se identificar a prevalência de dificuldade de locomoção em idosos institucionalizados de Passo Fundo/RS e verificar a associação com o perfil clínico-funcional.


MÉTODOS

Estudo transversal com 191 indivíduos com idade maior ou igual a 60 anos residentes nas instituições de longa permanência para idosos (ILPIs) de Passo Fundo, no ano de 2014. Trata-se de um recorte da pesquisa de dissertação intitulada "Fatores associados à institucionalização de idosos: estudo caso-controle de base populacional".

Atualmente, Passo Fundo conta com 16 ILPIs, as quais abrigam 363 idosos, conforme dados do Balcão do idoso (O Balcão é um espaço para o recebimento de demandas referentes a situações de risco e vulnerabilidade social, parceria entre Ministério Público Federal, Prefeitura Municipal de Passo Fundo e Universidade de Passo Fundo). Encontram-se divididas em instituições privadas com e sem fins lucrativos. O número de moradores se modifica com frequência devido às transferências e óbitos. A capacidade de receber esses idosos também varia, conforme a disponibilidade de acomodação e estrutura.

Para o cálculo amostral, o erro aceitável adotado foi de 0,05. Foram acrescidos (10%) ao total para compensar as possíveis perdas (não elegíveis, recusas, etc.) o que resultou num total de 205 idosos. Entre o período de levantamento dos idosos residentes e coleta de autorizações até o momento da entrevista ocorreram as seguintes perdas: seis óbitos, quatro rejeições (não aceitaram assinar o termo de consentimento livre e esclarecido), duas hospitalizações no momento da entrevista, dois residentes com menos de 60 anos. A amostra totalizou 191 idosos distribuídos em 13 ILPIs que aceitaram participar do estudo.

Coletaram-se os dados a partir de um questionário estruturado, aplicado aos idosos. Nos casos em que os idosos não eram capazes de responder, devido complicações cognitivas ou afasias por exemplo, o responsável técnico pela instituição era solicitado. Foram contempladas variáveis sociodemográficas (sexo, idade, cor da pele, situação conjugal, escolaridade, renda), as relacionadas à saúde (doenças crônicas e dependência para atividades básicas de vida diária), juntamente com questões específicas relacionadas à dificuldade de locomoção. O Índice de Katz5 foi anexado ao questionário e trata-se de um instrumento que avalia a independência para atividades básicas de vida diária - como banhar-se, vestir-se, ir ao banheiro, transferências da cama para cadeira e vice-versa, controle sobre os esfíncteres e alimentação sem assistência.

A partir do pressuposto que locomoção é o "deslocamento do indivíduo de um local para outro de maneira versátil e com o menor consumo de energia possível"6 considerou-se dificuldade de locomoção a necessidade de qualquer ajuda ou apoio para deambulação, seja bengala, muletas, andador (dificuldade parcial), cadeirantes ou mesmo restritos ao leito (dificuldade total). Alguns acamados tinham momentos em cadeira de rodas, no entanto, foram considerados cadeirantes àqueles que realizavam ativamente as transferências e acamados os que não conseguiam sentar na cama e realizar a transferência para a cadeira.

Realizou-se análise descritiva e bivariada dos dados. Para verificar a associação entre as variáveis categóricas foram aplicados os testes qui-quadrado Pearson e exato de Fisher a um nível de significância de 5%.

O projeto de pesquisa foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade de Passo Fundo, RS, pelo parecer número 648.771/2014, e os idosos ou seus responsáveis assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido antes da realização da entrevista.


RESULTADOS

Participaram do estudo 191 idosos institucionalizados, destes, 69,1% eram do sexo feminino. A média de idade foi de 79 anos (± 9,8), variando entre 60 e 115 anos. Quanto à renda, 60,7% recebiam até um salário mínimo e 91,6% eram aposentados. Houve associação significativa na dificuldade de locomoção e situação conjugal, ou seja, os idosos que viviam com companheiro apresentaram proporcionalmente maiores taxas de dificuldade para locomoção (Tabela 1).




A prevalência de dificuldade para locomoção foi de 50,3%. Quanto ao mecanismo acessório para a marcha, 41,7% utilizavam cadeira de rodas, 24,0% eram acamados (tinham momentos na cadeira de rodas, mas incapazes de realizarem as transferências), 16,7% faziam uso do andador, 14,6% bengala e 3,1% muletas. O consumo de medicamentos estava presente em 97,4% dos entrevistados (Tabela 2).




As doenças e complicações apresentadas foram hipertensão 44,2%, Alzheimer 26,3%, diabetes 16,3%, outras demências não especificadas 13,7%, doenças do coração 13,7%, sequela de acidente vascular encefálico 13,7%, artrites/artroses/osteoporoses 10,5%, Parkinson 9,5%, doenças circulatórias 8,4%, doenças respiratórias 4,2% e câncer 3,2%. A doença de Alzheimer teve associação significativa com a dificuldade de marcha (p=0,002) (Tabela 3).




Outras doenças que poderiam afetar de alguma forma a deambulação não se mostraram estatisticamente significativas, como por exemplo, o Parkinson, as outras demências não especificadas, as artrites e artroses, etc. Em contrapartida, dos idosos com sequelas motoras de acidente vascular encefálico, 24% (n = 23) apresentaram dificuldade para locomoção e somente 3,2% (n = 3) não apresentavam dificuldades para andar (p <0,001) (Tabela 3).

Dos 96 idosos com dificuldade de locomoção, 89,6% eram dependentes para as atividades básicas de vida diária (p <0,001). Aqueles com marcha dificultada não realizavam atividades físicas, 88,5% (p< 0,001) (Tabela 3).

No consumo de medicamentos, principalmente acima de 11 por dia, houve diferença significativa, sendo que 16,1% (n = 15) tinham dificuldade de locomoção e apenas 4,4% (n = 4) dos idosos com consumo acima de 11 medicamentos/dia deambula sem auxílio (p = 0,010) (Tabela 3).

Consideraram sua saúde como regular, ruim ou muito ruim 62,5% dos idosos que tinham dificuldade de locomoção (p = 0,001) (Tabela 3).


DISCUSSÃO

A disparidade entre os sexos foi bastante significativa, pois 69,1% eram do sexo feminino. Segundo dados do censo,7 o Brasil possui cerca de 23 milhões idosos, destes 55% são mulheres, processo conhecido por feminização da velhice. Dentre os fatores que explicam esse processo, destaca-se que as mulheres cuidam mais de sua saúde, realizam consultas e exames periodicamente, tem uma alimentação saudável, praticam atividades físicas e envolvem-se menos em acidentes. Ainda, pode-se elencar uma mortalidade diferencial por sexo; queda da mortalidade materna; proteção hormonal do estrógeno; inserção diferente no mercado de trabalho; consumo diferente de tabaco e álcool; postura diferente em referência à saúde/doença; relação diferente com os serviços de saúde.8

A inexistência de companheiro foi identificada em 89,5% dos idosos. Idosos solitários, diante de complicações que requeiram cuidados, enfrentam desafios, principalmente quanto à oferta de cuidados. As mudanças no papel social da mulher, tradicionalmente a cuidadora familiar, é uma das dificuldades na oferta de atenção domiciliar, já que atualmente, as mulheres encontram-se inseridas no mercado de trabalho, o que reduz a presença feminina em período integral no domicílio. Esses fenômenos sociais repercutem em uma maior demanda por cuidados de longa duração.9

Os baixos níveis de escolaridade são visto em outros estudos. Na pesquisa desenvolvida por Alencar et al.10 observa-se que 25,5% dos idosos institucionalizados são analfabetos ou com baixa escolaridade 59,6%. Conforme Rosa et al.11 no ano 2000, 40% dos homens e 48% das mulheres idosas no Brasil, declaravam-se analfabetos.

Nas instituições, as maiores faixas etárias mostraram-se prevalentes. Estes dados corroboram com estudo de Pelegrin et al.12 com 75% dos idosos institucionalizados no intervalo entre 71 a 90 anos. Ferreira e Yoshitome13 demostraram que a maioria dos idosos institucionalizados concentra-se na faixa entre 80-85 anos.

A alta prevalência de idosos com algum nível de dependência na locomoção identificada nesta pesquisa é semelhante ao estudo de Pelegrin et al.12 com 72 idosos de uma instituição de Ribeirão Preto – SP; os autores identificaram taxa de 55,5%. Em pesquisa conduzida por Smanioto e Haddad14 com 204 idosos institucionalizados, as dificuldades de locomoção atingiam 46,1%. As autoras agruparam em categorias: 11,8% necessitavam de ajuda de outra pessoa, andador ou bengala; 34,3% cadeirantes ou acamados.

Com o envelhecimento acabam surgindo problemas nas articulações, com isso impedindo uma mobilidade estável, pois há um desgaste das articulações, os músculos não estão mais enrijecidos, há perda da força muscular dificultando a caminhada.4

Além disso, algumas doenças provocam dificuldade para caminhar de forma segura, por exemplo: o Parkinson, que é uma doença degenerativa progressiva e incapacitante que se caracteriza por tremores e lentidão dos movimentos e da conversação essas dificuldades aumentam as chances dos idosos sofrerem quedas e consequentemente fraturas; o Alzheimer, que já no estágio leve pode causar apraxia (incapacidade para executar movimentos complexos como dirigir e vestir-se); a artrose, que é uma doença articular degenerativa responsável pelas principais queixas dos idosos quanto ao movimento; além de distúrbios do sistema cardiovascular.4

Diante dos mecanismos acessórios e dificuldades para deambular, demonstraram-se elevadas as taxas de impossibilidade em andar, seguido pela utilização de órteses. Nas instituições de longa permanência, a dificuldade para andar é frequente, no entanto, as taxas variam muito quanto ao dispositivo acessório. Conforme relata Alencar et al.10 que dentre os idosos avaliados, 61,7% utilizavam dispositivo de auxílio à marcha. Os autores identificaram que 42,5% usavam andador, 12,8% cadeira de rodas e 6,4% bengala. Ainda, observa-se uma discrepância entre os estudos em relação à frequência da utilização da órtese. Menezes et al.15 encontraram que do total de 95 idosos avaliados, 1,05% utilizaram andador e 13,7%, a bengala. No estudo de Gonçalves et al.16 observa-se uma diferença elevada nos números de cadeirantes, já que apenas 8,8% usavam cadeira de rodas, 7,2%, o andador, 13,5% a bengala e 6,1% muletas. No estudo de Ferreira e Yoshitome,13 dentre os equipamentos de ajuda para a locomoção, a bengala foi a mais usada 42,2%, 17,8% utilizavam cadeira de rodas e 2,2% utilizava andador, sendo que 35,6% não precisavam de ajuda para deambular.

Com o avançar da idade surge em algum momento, impedimentos para realização das atividades diárias. Os resultados desta pesquisa demostram que 75,9% dos idosos apresentam dificuldades para as ABVDs. Dentre os que apresentavam dificuldade de locomoção, a dependência para ABVDs foi ainda mais acentuada, com significativa correlação. Esta taxa elevada de dependência é relatada por Del Duca et al.17 no estudo sobre o desempenho das atividades básicas de vida diária com o Índice de Katz com 393 idosos institucionalizados de Pelotas – RS. Os autores constataram que 79,4% dos idosos eram dependentes para realizar ao menos uma tarefa.

As ABVDs dependem de um funcionamento adequado, conforme a complexidade da atividade, dos sistemas funcionais principais: cognição, humor, mobilidade e comunicação. O processo de perda da independência começa pelas tarefas mais complexas, com maior exigência, como banhar-se e progride até a dependência para alimentar-se.18 Portanto, idosos com dificuldades em deambular, perdem o pleno funcionamento de no mínimo um dos principais sistemas responsáveis pela independência nas ABVDs, que é o sistema locomotor.

As doenças mais frequentes foram hipertensão arterial, Alzheimer, Diabetes, outras demências não especificadas, doenças do coração, sequela de AVE, artrites/artroses. Pelegrin et al.12 identificaram alta prevalência de hipertensão arterial, com 47,2%, seguido por diabetes 18%, 13,9% osteoporose, 13,9% demência e 12,5% tiveram AVE.

As sequelas de AVE, na maioria das vezes, provocam uma marcha patológica conhecida como espástica, consequência da instalação de hemiplegias ou hemiparesias. Nestes casos o membro inferior fica rígido, levemente fletido na bacia e estendido no joelho; o pé permanece em flexão plantar e ao andar, arrasta no chão. Para compensar esse problema, o indivíduo balança a perna afetada em um arco externo (circundução) a cada passo. Essas sequelas levam a um comprometimento no equilíbrio.4

Indivíduos em estágios avançados de Alzheimer vivenciam uma marcha conhecida como marcha magnética, que é caracterizada pela base alargada, postura ligeiramente fletida, passos pequenos e rápidos. Há uma dificuldade em iniciar o passo e uma vez iniciado, a pessoa pode interrompê-la bruscamente.4 Assim, tanto as sequelas de AVE. quanto Alzheimer influenciam negativamente no equilíbrio e desempenho de marcha segura, o que predispõe a recomendação de dispositivos auxiliares para andar ou até mesmo impossibilita essa atividade.

A maioria dos idosos institucionalizados fazia uso de alguma classe medicamentosa (97,4%). A necessidade de medicamentos nos idosos é esperada, em especial nas instituições como mostra o estudo de Alencar et al.10 com 91,5% dos idosos pesquisados utilizando ao menos um medicamento. Gonçalves et al.16 encontraram que 83,3 % dos idosos utilizavam pelo menos uma medicação, no estudo de Menezes et al.15 verificou-se que 91,6% fazem uso de pelo menos uma medicação. Devido à complexidade dos problemas clínicos, a polifarmácia torna-se comum entre os idosos, o que aumenta as chances de efeitos adversos, tais como tontura, sedação, hipotensão postural, confusão mental, delírios, quedas, dentre outros,19 o que repercute negativamente no desempenho de uma deambulação segura.

Há uma correlação significativa entre a dificuldade de locomoção e a prática de atividade física. Para o desempenho da maioria das atividades físicas faz-se necessário que o indivíduo esteja em condições para tal, com avaliação do sistema cardiovascular, respiratório, análises de medida antropométrica, testes neuromotores, avaliação metabólica, identificação de limitações, etc.20 Faz-se necessário salientar que a prática de atividade física promove benefícios em qualquer idade, com melhora na qualidade de vida, manutenção da capacidade funcional e conserva as habilidades físicas e mentais adquiridas ao longo da vida.21

Os idosos que apresentavam dificuldade de locomoção autopercebiam sua saúde como regular, ruim ou muito ruim. As complicações de saúde vivenciadas pela maioria dos idosos influenciam diretamente na pior percepção de saúde, no entanto, o fator que parece intensificar a queixa de piores quadros de saúde é a incapacidade funcional e perda de autonomia.22

Este estudo apresenta como principal limitação a impossibilidade de interrelação temporal, assim, as associações e os dados precisam ser interpretados com cuidado. Estudos longitudinais com vistas ao acompanhamento do processo de debilitação da marcha em idosos institucionalizados poderiam esclarecer com maior precisão as relações de causa e efeito.


CONCLUSÃO

Identificou-se uma alta prevalência de idosos que necessitam de auxílio ou mesmo não conseguem deambular nas instituições. A dificuldade de locomoção esteve associada à doença de Alzheimer, sequela motora de acidente vascular encefálico, dificuldades para realizar atividades básicas de vida diária, inatividade física, alto consumo de medicamentos e percepção de saúde ruim. Esses achados geram preocupação, visto que, provavelmente estes idosos, por precisarem de auxílio para andar, têm uma marcha dificultada, o que aumenta as chances de acidentes e/ou de evolução do quadro para situações de dependência total.

Medidas com vistas à minimização das complicações inerentes às dependências para deambular devem ser estimuladas. Ações preventivas a fim de evitar ou retardar a dificuldade de locomoção, com a máxima manutenção das habilidades locomotoras podem ser trabalhadas. Para aqueles com quadros mais graves, cadeirantes e acamados, o foco são os cuidados com as complicações decorrentes da imobilização, bem como o incentivo de todo e qualquer grupo muscular funcionante.


AGRADECIMENTOS

À Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul (FAPERGS) pela concessão da bolsa de estudos.


REFERÊNCIAS

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